Ainda a pouco estava junto à minha noiva assistindo a um programa de televisão chamado "Quilos Mortais". De início tal título me soou um tanto sensacionalista, entretanto ao assistir o programa tive determinadas impressões e sensações que muito me surpreenderam.
Em resumo o programa trata de casos de obesidade extrema, onde as pessoas têm cerca de 300kg e, através de uma cirurgia bariátrica, retomam o controle de sua saúde e de suas vidas. Nesta perspectiva há de se pensar que após a cirurgia os desafios para emagrecer se farão um tanto menos complexos do que antes, visto que o seu próprio corpo (e mente) se encarregará de fazer o trabalho. Entretanto, ao enfrentar uma trajetória dessas, estas pessoas se deparam com inimigos comuns a todos os demais semelhantes. Elenquei aqui, três exemplos de tais inimigos ou "demônios" que lutamos frequentemente e que muito me chamou a atenção em tal programa.
- O primeiro deles remete à situação onde a esposa, após deixar de ser dependente do marido para fazer coisas "simples", como tomar um banho ou ir ao banheiro, ou, até mesmo, caminhar - por conta obviamente do excesso de peso - têm de terminar seu relacionamento, pois o seu companheiro não consegue digerir o fato de ela tornar-se uma mulher independente.
Em situações "normais", o marido - ao meu ver - ficaria feliz em ver o desenvolvimento e a superação da esposa nas mais simplórias tarefas cotidianas. Neste viés, o mesmo deveria inferir que levaria uma vida mais ativa em todos os aspectos. Mas não, a relação de dominação e/ou dependência falou mais alto. E, nesta perspectiva, entramos numa seara que culmina no próprio significado do amor. Certo que o amor pode ser egoísta, como, por exemplo, não querer perder um ente querido por mais que o mesmo esteja no leito de morte. Na verdade, acho que isso se chama esperança. É a ideia fixa de que mesmo que a morte de tal pessoa querida seja certa, ainda temos um fio tenaz de esperança de que toda aquela atribulação acabe e a cura chegue. No caso destacado, o marido não soube lidar com a transformação da esposa e por isso a relação findou. Cada um com seus motivos, mas é certo que tanto ele quanto ela não se prepararam psicologicamente para uma transformação de tal proporção. E na nossa vida as transformações podem chegar de todas as frentes e nos mais variados momentos. Nós estaremos sempre preparados? Talvez não. Entretanto, é preciso que estejamos no mínimo conscientes de que a mudança virá, pois nós temos consciência dos nossos atos e atitudes e cada um deles acarretará consequências (transformações, mudanças) para a nossa trajetória de vida. Vamos ao segundo caso.
- Uma mulher acima dos 40 anos, casada e com uma filha de 10 anos. Por conta do excesso de peso perdeu boa parte do desenvolvimento da filha e tomou forças de tal situação para se transformar. Assim o fez. Entretanto, está enfrentando um grave problema no casamento, visto que seu marido não quer que ela emagreça. O casamento findou, pois no momento da escolha entre salvar o casamento e salvar a sua saúde, a segunda opção entrou em voga.
- O terceiro e último caso remete a ambas as mulheres que se mantiveram no foco e conseguiram eliminar grandes percentuais de gordura, estão levando uma vida mais saudável e fazendo atividades que jamais pensariam em fazer. Ao subirem na balança nas consultas rotineiras com os seus médicos o sorriso é marca registrada, pois se veem como verdadeiras vencedoras. Mulheres que deixaram o estado "vegetativo" e renasceram para uma nova maneira de viver.
Carpe Diem!


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